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domingo, 14 de novembro de 2010

Transcendência

Eliane F.C.Lima (Registrado no Escritório de Direitos Autorais)

-Me passe aí a batata frita, Honey.
A moça morreu de raiva daquele inglês idiota e fora de hora. Cara bobo! Detestava homem ridículo!
Cada vez que se dirigia a ela, lá vinha outro “Baby”. Ela fingia que não tinha ouvido no meio da balbúrdia dos amigos, todos cheios de animação e chope. No terceiro “Dear”, levantou-se e foi ao banheiro.
Lavando as mãos, ia ponderando: não entendia como o pessoal aguentava aquele cara. Seria amigo de quem? E todos falavam com ele, com consideração, bem que via. Aquilo era um mistério. O tal era um bobalhão, vocabulário de conquistador barato e antigo.
Quando voltou, sentou-se em outro lugar bem longe dele. Solução perfeita.
Num momento, porém, em que voltou a olhar para aquela ponta da mesa, reparou que o rapaz estava meio ausente, olhos no ar. Em seguida, procurou um guardanapo de papel, meio aflito, tirou uma caneta do bolso e pôs-se a escrever. Leu para si, consertou alguma coisa e mostrou, finalmente, para a garota do lado. Ela leu, sorriu em êxtase, jogou para ele uns olhos enormes e acenou para todos os lados, pedindo silêncio. E conseguiu, sem o menor esforço, como se todos esperassem por aquilo.
E Vivinha – era o apelido da primeira e entediada moça – ouviu o poema mais milagroso e ousado e perfeito de sua vida, enquanto se levantava, sonâmbula, e ia caminhando, desejando uma cadeira vaga em frente ao poeta.



Convido meus leitores a meu blogue Literatura em vida 2 (link) e Poema Vivo (link). Estou ainda em Debates Culturais, onde passo, agora a publicar alguns artigos, bastando um clique, na lista "Colunistas", à direita, em Eliane Lima (link).

4 comentários:

Graça disse...

Querida!!

Vc fez com que meu coração viesse à boca!!!
Que lindo e surpreendente final!
eu estaria zonza e procurando a tal cadeira até agora...
Parabéns! Lindo demais.
Abraços e laços!

Renata Armondi Soares Raposo disse...

Fiquei pensando como é difícil enxergar além das aparências. Precisamos nos deixar tocar pelo outro por mais bestial que pareça. Adorei, obrigada pelo toque.

Marise Ribeiro disse...

O "ser poeta", e aqui há duas conotações, transcende os limites do esperado ou daquilo que está diante dos nossos olhos.
Adorei o conto, Eliane!
Beijos,
Marise

Mara faturi disse...

Hummmmmmmmmm, só podia ser poeta, rsrs
AMEI!!!!!
bjos