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domingo, 8 de agosto de 2010

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Eliane F.C.Lima (Registrado no Escritório de Direitos Autorais)

Chegada nos sessenta, começou a ter problemas de saúde. Era uma calcificação no ombro, era uma dor na coluna lombar, era fisioterapia na cervical. Fora, é claro, os exames laboratoriais – acorda cedo, faz uma dietinha – e a visita ao dentista: quebra um dente aqui, cárie em outro ali.
Aprendeu termos que nunca tinha ouvido falar, sabia na ponta da língua a causa e a consequência de muitas enfermidades, merecedora já de um diploma de medicina.
Isso sem contar as visitas aos médicos. No livrinho do plano de saúde, várias páginas começaram a ficar usadas, as especialidades sendo assinaladas a lápis. Parecia o diário que tinha na adolescência. Manuseado o tal livro, dava para contar a história da sua vida de então.
Mas o que iria preocupar outra pessoa, para ela não era problema, pelo contrário. As saídas eram uma curtição. Sentava na sala de espera e conversava a mais não poder. Quando era chamada lá para dentro, novas amizades, papo novo.
Tinha dentro da bolsa sempre um papelzinho e caneta providenciais. Anotava o nome de um médico “excelente”, o de um rapaz que fazia palmilhas contra “esporão calcâneo”, competentíssimo, e daí por diante.
Dia sem médico para visitar ou terapia a cumprir era uma solidão!

Espero você em meus outros blogues Literatura em vida 2 (as setas são o "Abre-te, Sésamo": ->) e Poema Vivo (->).

4 comentários:

Carmem Teresa disse...

Finalmente vim ler seus textos em prosa..Triste viver relatado...pior é que não é ficção..é a realidade de multidões...

ju rigoni disse...

Retrato fiel de um sem-número de pessoas recém-chegadas à isso que atrevem-se a chamar de Melhor Idade. Entretanto, seu conto me fez pensar também naquele que não tem condições de ter um plano de saúde, - um livrinho para pelo menos acreditar que está escolhendo um médico... Muito menos ir a um dentista! Os que não fazem outra coisa, apesar da idade avançando, a não ser correr atrás da sobrevivência, e até quando procuram um hospital público, enfrentam filas na madrugada tentando, muitas vezes sem sucesso, obter uma senha para um atendimento de qualidade questionável.

Melhor idade... Peço licença ao Henfil, onde quer que esteja, para relembrar um cartaz que vi na década de 70, onde a graúna subia aos ombros do Zeferino, protegia os olhos com as asas e perguntava aflita, olhando para o sol poente: "Tá vendo alguma esperança?" Grande Henfil!

Adorei o conto, Eliane! E, como sempre, viajei.

Bjs e inté!

Márcia Vilarinho disse...

Ah! se as pessoas soubessem o poder que tem a mente, visitariam jardins e livros de poesia, reciclando sentimentos,mantendo-se íntegra e unida à perfeição da natureza, na sua simplicidade visível, translúcida...os médicos acabariam também por poetar. Bjs.

Salete Maria disse...

*Queremos parabenizar pelo site e aproveitar para convidar você a visitar nosso blog www.cordelirando.blogspot.com onde você poderá ler o mais recente cordel intitulado VISÃO DO "STF" SOBRE A LEI FICHA LIMPA.
Um forte abraço!