
Nessa "data querida", constato, ainda, que meu empenho ficcional, poético (Poema Vivo) e de meus comentários sobre textos literários (Literatura em vida 2) atingiu seu objetivo, junto a meu público leitor, como se constata nas palavras tão pródigas de Graça Lacerda, em seu blogue ANJO DE PRATA (visite-o por aqui). Agradeço o carinho, oferecendo a ela a amizade e este meu conto comemorativo.
Parábola
Eliane F.C.Lima
De vassoura na mão, começou a limpar aquele galpão enorme, cujo fim nem se via, muito novo ainda, não se lembrava desde quando. E ia varrendo, em todos os lugares, às vezes quase nada, às vezes muito lixo acumulado, que ia empurrando para a frente, crescendo sempre o que sua vassoura tinha de conduzir.
Seu impulso era seguir naquela tarefa. Em algumas ocasiões, queria desistir, quase parava, quase desanimava. Em outras, tão envolvido estava em seu trabalho, que não via o tempo passar. Em poucas, pouquíssimas, na verdade, sentia entusiasmo e alegria por ir adiante.
Mas a empreitada foi se tornando cada vez mais penosa. Agora já tinha enorme dificuldade para tocar em frente sua vassoura e o lixo que levava.
Até que um dia, viu, finalmente, o portão. Não era largo, bem ao contrário. Não condizia bem com a grandeza e altura daquele pavilhão. Quando foi se aproximando, ele se entreabriu sozinho.
O homem se preparou para empurrar o tanto de lixo que trouxera naquele caminhar difícil e poder passar, por fim, para fora.
No entanto parou e voltou-se para trás, imaginando que, pelo tempo que tinha levado, o princípio, lá tão longe, deveria estar sujo de novo. E apertando os olhos já bem cansados e míopes, pensou ouvir, talvez, um ruído de outra vassoura, e ver uma pessoa miudinha – acaso uma criancinha? – varrendo azafamada.
Parábola
Eliane F.C.Lima
De vassoura na mão, começou a limpar aquele galpão enorme, cujo fim nem se via, muito novo ainda, não se lembrava desde quando. E ia varrendo, em todos os lugares, às vezes quase nada, às vezes muito lixo acumulado, que ia empurrando para a frente, crescendo sempre o que sua vassoura tinha de conduzir.
Seu impulso era seguir naquela tarefa. Em algumas ocasiões, queria desistir, quase parava, quase desanimava. Em outras, tão envolvido estava em seu trabalho, que não via o tempo passar. Em poucas, pouquíssimas, na verdade, sentia entusiasmo e alegria por ir adiante.
Mas a empreitada foi se tornando cada vez mais penosa. Agora já tinha enorme dificuldade para tocar em frente sua vassoura e o lixo que levava.
Até que um dia, viu, finalmente, o portão. Não era largo, bem ao contrário. Não condizia bem com a grandeza e altura daquele pavilhão. Quando foi se aproximando, ele se entreabriu sozinho.
O homem se preparou para empurrar o tanto de lixo que trouxera naquele caminhar difícil e poder passar, por fim, para fora.
No entanto parou e voltou-se para trás, imaginando que, pelo tempo que tinha levado, o princípio, lá tão longe, deveria estar sujo de novo. E apertando os olhos já bem cansados e míopes, pensou ouvir, talvez, um ruído de outra vassoura, e ver uma pessoa miudinha – acaso uma criancinha? – varrendo azafamada.